A pressão sobre o Inter aumentou com a proximidade da zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Enquanto a torcida cobra reforços capazes de mudar o desempenho da equipe, um personagem histórico do clube apontou um problema mais profundo nas escolhas feitas pela direção nos últimos anos.
Campeão brasileiro como jogador e com passagem pelo comando técnico colorado, Paulo César Carpegiani criticou o modelo utilizado pelo clube para montar o elenco. Em entrevista ao programa “Gaúcha na Copa”, o ídolo afirmou que as dificuldades enfrentadas pelo Inter passam diretamente por contratações realizadas sem uma avaliação suficientemente criteriosa.

Qual é o principal erro do Inter nas contratações?
Para Carpegiani, o clube precisa buscar consenso entre todos os profissionais do departamento de futebol antes de fechar um negócio. O ex-jogador defendeu que a indicação de um treinador não pode ser o único fator considerado pela direção na escolha de um reforço.
“Não é porque o treinador pede que a direção vai ter que dar esse jogador. Ela tem que ser um consenso de todos os elementos do futebol. Tirando Flamengo e Palmeiras, que são duas equipes que financeiramente estão bem, o restante todas passam dificuldades. Onde está essa dificuldade? É na má contratação”, afirmou.
Na avaliação do ídolo colorado, o problema não termina no desempenho apresentado dentro de campo. Jogadores contratados com salários elevados e que não conseguem corresponder também se transformam em obstáculos financeiros, pois dificilmente encontram interessados dispostos a assumir seus vencimentos.
“O Inter traz esses jogadores com altos salários que estão muito inflacionados para o nosso futebol. E, em função disso, não consegue vender. Então, o jogador é liberado de graça”, acrescentou Carpegiani.

Por que Carpegiani citou Thiago Maia?
O ex-treinador utilizou Thiago Maia como exemplo de um atleta que apresentava rendimento diferente dentro de outro contexto coletivo. Segundo Carpegiani, a direção precisa analisar se as características do jogador realmente combinam com o modelo e com os companheiros que encontrará no Beira-Rio.
“Muitas vezes você traz um jogador como o Thiago Maia que, dentro de uma composição que é o Flamengo, naquele time bom, ele se sobressaía. No Inter, ele não consegue corresponder por ser um jogador normal. Então, esse tipo de jogador valeria a pena? Que tipo de pensamento se buscou para essa contratação?”, questionou.
A declaração representa a opinião de Carpegiani sobre o rendimento do meio-campista e o processo utilizado pelo clube, não uma avaliação definitiva sobre a qualidade do atleta. O principal alerta está na necessidade de observar como cada possível reforço funcionaria dentro da realidade esportiva do Colorado.
O ídolo reconheceu que os dirigentes procuram nomes compatíveis com as condições financeiras e técnicas do clube, mas cobrou uma linha de pensamento mais clara. Para ele, decisões sem unidade podem causar prejuízos esportivos, aumentar a folha salarial e obrigar o Inter a liberar jogadores sem recuperar o investimento realizado.

Como o Inter tenta corrigir o elenco?
A direção voltou ao mercado para entregar novas alternativas ao técnico Paulo Pezzolano. O clube ocupa a 14ª colocação do Brasileirão, com 21 pontos, apenas um acima da zona de rebaixamento, cenário que aumenta a urgência por respostas durante o segundo semestre.
O zagueiro chileno Guillermo Maripán já foi anunciado e iniciou os trabalhos com o restante do elenco. O Inter também acertou a chegada do meio-campista Calebe, que pertence ao Fortaleza e estava emprestado ao Deportivo Alavés, da Espanha. O acordo pelo jogador é por empréstimo até o fim da temporada, com opção de compra.
Além dos dois nomes, o executivo de futebol Fabinho Soldado trabalha na busca por outras peças. O clube iniciou conversas pelo goleiro venezuelano José David Contreras, do Barcelona de Guayaquil, mas a negociação ainda não está fechada. A direção também buscou informações sobre André Silva, atacante do São Paulo.
As movimentações mostram a tentativa de corrigir as carências identificadas no elenco, mas a cobrança de Carpegiani vai além da quantidade de reforços. Para o ex-jogador, o desafio do Inter no mercado da bola é contratar atletas que tenham encaixe esportivo, custo sustentável e possibilidade de gerar retorno ao clube.
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