R$ 925,6 milhões em dívida: Conselho Fiscal sugere medida drástica no Inter
O Internacional voltou ao centro das atenções por causa de sua situação financeira. Um…

O Internacional voltou ao centro das atenções por causa de sua situação financeira. Um ofício encaminhado pelo Conselho Fiscal à direção colorada em 20 de agosto cobra maior transparência sobre gastos realizados com cartões corporativos e recomenda que o clube avalie formalmente a recuperação judicial como uma das alternativas para enfrentar o crescimento do endividamento.
As informações constam em documento ao qual o Correio do Povo teve acesso. Segundo o material, três cartões corporativos movimentaram R$ 2,43 milhões entre janeiro e maio, enquanto a dívida do Inter chegou a R$ 925,6 milhões ao final daquele período.

Por que o Conselho Fiscal cobra explicações sobre os cartões?
O órgão quer maior transparência e prestação de contas sobre os R$ 2,43 milhões movimentados. Entre os usuários dos cartões aparecem o presidente Alessandro Barcellos, o CEO Giovani Zanardo e um funcionário ligado à logística da equipe.
Do total, aproximadamente R$ 1,4 milhão foi destinado a despesas de hospedagem. O documento também menciona cerca de R$ 539,9 mil gastos com alimentação em Porto Alegre e um pagamento de R$ 194,2 mil à CBF.
O Inter sustenta que o uso de cartões corporativos para esse tipo de despesa, especialmente envolvendo viagens, é uma prática comum no futebol. O clube também indica que praticamente não existem despesas pessoais de Barcellos dentro desses valores. A cobrança do Conselho Fiscal, portanto, está relacionada à apresentação mais detalhada da destinação dos recursos, e não a uma acusação de irregularidade.

Por que a recuperação judicial entrou no debate do Inter?
O crescimento da dívida levou o Conselho Fiscal a recomendar que a alternativa seja formalmente estudada. O endividamento apontado no documento alcançou R$ 925,6 milhões ao final de maio, em um cenário que também inclui queda nas receitas de publicidade e marketing e aumento das obrigações trabalhistas.
Na recomendação, o Conselho Fiscal cita a possibilidade de suspensão temporária de cobranças e execuções, além de uma renegociação estruturada do passivo. Isso não significa que o clube tenha decidido entrar em recuperação judicial. A proposta é para que a medida seja analisada entre as alternativas disponíveis para reorganizar as finanças.
A consultoria Alvarez & Marsal também recomendou anteriormente esse caminho em estudo sobre a situação financeira colorada. Alessandro Barcellos, porém, não concorda com a adoção da recuperação judicial neste momento.
O que a direção do Inter precisa responder?
O Conselho Fiscal solicitou esclarecimentos formais sobre os pontos levantados na auditoria dos primeiros cinco meses do ano. A direção recebeu prazo de 15 dias para apresentar sua manifestação, mas, conforme a informação publicada pelo Correio do Povo, ainda não havia encaminhado uma resposta formal até o fechamento da apuração.
O documento adiciona um novo capítulo às dificuldades financeiras enfrentadas pelo clube no futebol brasileiro. Mais do que os valores movimentados nos cartões, o principal sinal de alerta está no tamanho do endividamento e na discussão sobre quais medidas serão necessárias para reorganizar as contas do Inter.
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