O Inter reconhece internamente a existência de dívidas com empresas ligadas a Delcir Sonda, mas contesta o valor de R$ 60,5 milhões cobrado em quatro ações judiciais. Segundo apuração do Correio do Povo, o clube sustenta que o débito correto seria de aproximadamente R$ 33 milhões, diferença que mantém o caso em disputa e já provocou tentativas de penhora de recursos.
Os processos envolvem operações realizadas em momentos distintos da história colorada. Parte das cobranças está relacionada à contratação de Andrés D’Alessandro, em 2008, enquanto as demais tratam de empréstimos concedidos ao clube em 2018.

Quanto o Inter admite dever a Delcir Sonda?
O clube trabalha com um passivo próximo de R$ 33 milhões. Esse valor, porém, não foi apresentado em uma manifestação pública oficial do Inter. A informação é atribuída a pessoas ligadas à instituição e representa a posição colorada diante das cobranças.
As empresas vinculadas a Delcir Sonda exigem R$ 60,5 milhões. A diferença estaria ligada à composição dos débitos, incluindo juros, correção monetária e valores que as partes interpretam de maneiras distintas.
Representantes do Inter e do empresário chegaram a se reunir em outubro de 2025 para tentar encerrar o impasse. Conforme a apuração, houve um entendimento em torno dos R$ 33 milhões defendidos pelo clube, mas a negociação não resultou em um acordo formal capaz de interromper as cobranças.
De onde surgiram as cobranças contra o Inter?
Duas ações têm origem na chegada de D’Alessandro ao Beira-Rio, em 2008. Empresas de Sonda participaram da operação que trouxe o meia argentino ao clube. O empresário sustenta que obrigações financeiras relacionadas ao negócio não foram totalmente quitadas.
Os outros dois processos envolvem empréstimos realizados em 2018, quando o Inter disputava sua primeira temporada na Série A após o retorno da segunda divisão. Naquele período, foram repassados R$ 10 milhões e mais R$ 2,6 milhões para reforçar o caixa colorado.
Com a ausência de pagamento integral, os valores passaram a ser cobrados judicialmente, acrescidos de juros e atualização monetária. Esse crescimento ajuda a explicar por que o montante exigido atualmente é superior aos valores originalmente envolvidos.

A Justiça já bloqueou recursos das contas do Inter?
Os processos já resultaram em ordens para localizar e tentar penhorar valores pertencentes ao clube. Em uma das ações, houve autorização para busca de aproximadamente R$ 11,5 milhões em contas coloradas.
Uma ordem de bloqueio, contudo, não significa que todo o dinheiro tenha sido encontrado ou retirado. Segundo as informações disponíveis, as buscas realizadas até agora não localizaram recursos relevantes suficientes para garantir a execução integral das cobranças.
As quatro ações continuam em tramitação. Os próximos passos podem incluir novas manifestações das partes, apresentação de recursos, outras tentativas de penhora ou uma retomada das negociações para acordo. A disputa se soma aos desafios financeiros enfrentados pelo clube no atual cenário do futebol brasileiro.

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