“Alívio com alerta”: Conselho Fiscal aprova contas do Inter, mas faz ressalvas e liga sinal de atenção

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Mesmo com superávit e redução da dívida, análise aponta fatores pontuais e riscos contábeis que preocupam

O Conselho Fiscal do Internacional aprovou, com ressalvas, as contas de 2025 da gestão de Alessandro Barcellos. O parecer traz um misto de alívio e cautela. Apesar da redução da dívida — que caiu de R$ 978 milhões para R$ 939 milhões —, o órgão foi claro ao destacar: “Não há elementos que indiquem cenário de insolvência do clube”. A avaliação agora segue para o Conselho Deliberativo, que vota o balanço em 11 de maio, com base também na auditoria externa da Cerutti e Machado Auditores.

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O clube apresentou superávit de R$ 8,9 milhões no período. Mas o próprio Conselho Fiscal faz um alerta direto: o resultado positivo não reflete uma reestruturação consistente da operação principal. Segundo o parecer, o desempenho foi influenciado por fatores pontuais e não recorrentes — ou seja, não necessariamente sustentáveis a longo prazo.

Um dos pontos mais sensíveis envolve a recompra de direitos comerciais ligados à Liga Forte (LFU). O Inter desembolsou R$ 109 milhões e registrou o valor como ativo intangível. O Conselho aponta uma divergência nesse tratamento contábil, classificando a medida como uma “assimetria de tratamento contábil”. Na prática, a análise sugere que, se o impacto da operação fosse lançado diretamente no resultado, o cenário seria bem mais duro: o clube poderia ter registrado déficit superior a R$ 100 milhões.

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Dívida segue alta e atraso incomoda

Mesmo com o discurso de controle, o passivo total do Inter ainda gira na casa de R$ 1,2 bilhão quando consideradas todas as obrigações. O Conselho Fiscal reforça que parte desse montante não impacta diretamente o fluxo de caixa, mas não ignora o peso do número. Outro ponto criticado foi o atraso na entrega das demonstrações financeiras, divulgadas apenas em 15 de abril, quando o prazo regimental era 28 de fevereiro — um detalhe que não passou despercebido no parecer.