Muricy crava ‘único jeito’ para Alan Patrick render no Inter — e expõe dilema de Pezzolano

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Ex-técnico colorado analisa momento do camisa 10 e aponta caminho que pode mudar o funcionamento da equipe

INTER: O debate sobre o desempenho de Alan Patrick ganhou um novo capítulo — e com peso de quem conhece. Em entrevista à rádio Gaúcha nesta quinta-feira (30), Muricy Ramalho, ex-técnico do Internacional, abriu o jogo sobre o momento do camisa 10 e foi direto ao ponto ao apontar o que, na sua visão, é o único cenário em que o meia pode render no Beira-Rio.

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Foto: Ricardo Duarte / Internacional

Muricy destacou que o atual modelo implantado por Paulo Pezzolano, baseado em intensidade e transições rápidas, não favorece o estilo do jogador. Para ele, o Inter deixou de ser uma equipe de construção para apostar em velocidade — e isso impacta diretamente o desempenho do meia.

“Bom, eu conheço bem o Alan Patrick, que foi meu jogador, né? Jogadoraço. É um jogador muito diferente, um jogador que tem o passe, tem a visão de jogo. Acontece que, às vezes, eu acho que o futebol do Inter mudou um pouco em relação à velocidade, à intensidade. Não é um time que fica mais com a bola, com a posse de bola. É um time que é muito agressivo, tanto é que o número de chances de gols é muito alto, né? E aí o jogador acaba sentindo isso”, afirmou Muricy.

O ex-treinador ainda aprofundou a análise ao explicar que o camisa 10 precisa de um contexto diferente para brilhar. “O Inter é um time que recupera muito rápido a bola e já chega no ataque, contra-ataque. E isso para ele não é bom. Para ele é o jogo de construção, jogo de posse de bola. Que ele faz muito bem. Então eu acho que é por isso que ele está sentindo um pouco”, completou, deixando claro que o estilo atual exige características que não são as principais virtudes do meia.

Foto: Ricardo Duarte / Internacional

Na visão de Muricy Ramalho, há apenas uma alternativa viável. E ela passa por uma mudança tática. “Eu acho que uma chance de ele jogar só nesse sistema mesmo: com dois abertos, um atacante de área e ele por trás, né? […] Mas eu acho que a única chance dele jogar é essa: com os dois abertos, o centroavante de área e ele como meia que vem construindo, tem a posse de bola, tem um bom passe, né? E chega de surpresa na área. Esse sempre foi o estilo dele jogar”, concluiu o ex-treinador, colocando nas mãos de Pezzolano um dilema claro: adaptar o sistema ou seguir cobrando adaptação do seu principal articulador.